sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Como se o coração tivesse acordado com frio
o azul do sol desfocado pelo mormaço de um clima que não se aguenta
 mas teima em queimar
é como se sair de casa fosse uma obrigação necessária a continuidade de um fluxo vital
que não depende da respiração fisiológica, mas de um fluxo de alma
coisa que só nos sonhos compreendo bem
em dias assim não posso dar satisfações
não posso cobrar felicidade empacotada
é como se em algum lugar despontasse uma tristeza tão grande
que eu posso sentir daqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia ...
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, gritando, berrando e interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Não existem erros, existem escolhas e consequências.
É tão difícil pensar assim
Somos culturalmente educados a acreditar nos erros 
mas o que é estar vivo se não experimentar?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Não sei bem o que leva uma pessoa a tirar uma água viva do mar e colocá-la em um aquário. Poderia ser vaidade ou estupidez mas prefiro pensar que é ingenuidade.

imortal ou como morder a maçã

E se eu pudesse recomeçar agora
          Por dentro
não por fora
           De cara com o muro entendi que a porta que não fechei ontem
é a mesma que me serve agora
(Quando eu gostaria de caminhar por uma dimensão onde os obstáculos só podem ser tocados com a mente)


E se eu pudesse criar  minhas leis -sem precisar de justiça-
Tenho a impressão de que a justiça inventou o eu e envenenou o ethos

O que é ethos?
 
Guardo a ligeira impressão de que ninguém mais se olhou tão de perto quando descobriu que tinha direitos.
E se eu pudesse esquecer todos os meus desejos por um único propósito: Não ter desejos!
Seria outro desejo?
Lembro de algum momento onde não pude ver meus próprios passos porque estava com os olhos fixados no lugar onde queria chegar, e cheguei. De alguma forma não estava preocupada comigo, poderia ter caído, mas não cai, já tinha aceitado a queda como consequência da pressa, mas não me importei, e fui tão cega que não seria mais capaz de reconhecer o caminho.

E se eu pudesse me desfazer
Morrer agora
Ser útil sem pretensão
-é isso que chamam adubo? -





domingo, 8 de janeiro de 2012

Me destaco desse corpo quando crio outras janelas que antes minhas abrem outros céus e talvez nunca mais voltem a mim. Estou vermelha, não de ferrugem, mas de paixão.

sábado, 7 de janeiro de 2012